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FNDC: assim como no golpe, mídia joga papel central nas reformas

02/06/2017

No 3ENDC, debatedores criticam campanha dos meios de comunicação por retirada de direitos

Escrito por: FNDC

 

A mídia teve papel central no processo ilegal de impeachment de Dilma Rousseff e segue atuando com força no avanço de propostas de reformas que atacam frontalmente os direitos da população. A reflexão foi feita por representantes do movimento sindical durante o 3º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (3ENDC), no sábado (27/5), em Brasília. Raimunda Gomes, a ‘Doquinha’ (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Roni Anderson (Central Única dos Trabalhadores) e o economista Paulo Kliass discutiram "O monopólio da mídia e o ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários".

 

Para Doquinha, é inegável que os grandes meios de comunicação tenham atuado de forma partidarizada para derrubar Dilma Rousseff. “Ao lado de setores da burguesia, do parlamento e do Judiciário, a mídia construiu, de forma descarada, uma narrativa que tornou o impeachment viável”, diz. “A mídia pavimentou o caminho para os ataques à democracia e a retirada de direitos de trabalhadores”.

 

O interesse dos barões do monopólio midiático no golpe, de acordo com a dirigente sindical, é uma clara reação aos avanços e conquistas da classe trabalhadora. “Empregadas domésticas com direitos trabalhistas foi uma das afrontas à elite do país”, exemplifica.  O discurso de que o Brasil precisava de mudanças urgentes, de que gastava muito com programas sociais, foi incutido na cabeça das pessoas de forma ostensiva, insuflando a intolerância e o ódio, na avaliação dela.

 

“O tripé do golpe tinha uma finalidade clara: promover reformas para desmontar o Estado”, argumenta Doquinha. “A Reforma da Previdência e trabalhista são as principais expressões desse projeto, imposto a despeito de sua derrota nas urnas em 2014”.

 

Além da campanha evidente pelas reformas, a dirigente também aponta para a intensificação da criminalização dos movimentos sociais – “um dos expedientes da mídia hegemônica no ataque aos trabalhadores”. “No dia 28 de abril”, salienta, “paramos o Brasil pra mostrar o que estava acontecendo, mas a mídia passou o dia todo dizendo que a greve não teve sucesso, desqualificando a mobilização”. A medição de uma greve, complementa Doquinha, não é a quantidade de pessoas nas ruas, mas a ausência delas, a quantidade de postos de trabalho parados, “o que fizemos de forma impressionante”.

 

Apesar de serem muitos os desafios do movimento sindical para uma comunicação mais eficaz com os trabalhadores, Doquinha acredita que as reformas trabalhista e previdenciária ajudam a esclarecer o que estava em jogo no impeachment. “As centrais sindicais despertaram para a importância da comunicação. Construímos grupos de comunicadores e atuamos de forma unitária nas redes e em nossos veículos de mídia. Temos de ter clareza da importância estratégica da comunicação, pois não vamos derrotar os ataques que sofremos falando apenas para a nossa bolha. Na unidade, temos construído uma narrativa forte contra as reformas do golpe”.

 

Mídia democrática, uma bandeira dos trabalhadores

 

Conforme opina Roni Anderson, secretário nacional de comunicação da CUT, a luta pela democratização da comunicação tem de ser uma bandeira permanente do movimento sindical. “O golpe estava combinado no Congresso, no Judiciário e nos grandes meios de comunicação. É difícil fazer o contraponto e disputar a narrativa nesse cenário”, avalia. “Assim que derrubaram Dilma, ficou claro o erro de a esquerda não ter avançado na reforma do sistema de meios de comunicação. Não temos nenhum grande veículo nacional para disputar narrativas”.

 

Para ele, é tarefa urgente para os movimentos sociais e a esquerda brasileira criar meios progressistas fortes, para competir com a meia dúzia de famílias que dominam os grandes grupos de comunicação. “Disputar ideias é estratégico. A mídia foi central no golpe. Dilma não foi derrubada pelo motivo esdrúxulo das tais pedaladas fiscais. O que sustentou a narrativa do impeachment foi o discurso massacrante da grande mídia sobre a crise econômica, a crise política e a ingovernabilidade de Dilma”, argumenta.

 

O papel jogado por coletivos de mídia, ativistas digitais e mídias alternativas é imprescindível, na opinião de Roni. Mas não basta. “Centrais sindicais têm feito bastante, mas precisa fazer muito mais”.

 

Oportunidade perdida

 

Para Paulo Kliass, foi imperdoável o erro da esquerda em acreditar que, chegando ao poder, seria capaz de governar em aliança com os barões da mídia monopolista. “Teve-se a ilusão, no Brasil, de que seria possível ter uma boa relação com os donos dos grandes meios de comunicação. O tempo se encarregou de mostrar que não”, frisa. “Sabíamos que o sistema de meios de comunicação era um tema sensível para qualquer pretensão de transformar a realidade no Brasil. Essa reforma é estratégica e perdemos uma ótima oportunidade de tocá-la”.

 

Ao passo em que a crise política se acirrou e a direita que assumiu o poder radicalizou sua agenda, ficaram explícitos, à população, os interesses por trás das reformas que tramitam no Congresso. “Conseguimos fazer um contraponto sólido, obrigando alguns meios a, inclusive, mencionarem a nossa posição, mesmo que fosse para sabotá-la”, ressalta.

 

Apesar do déficit de não termos fomentado a diversidade de opiniões e ideias nos meios de comunicação, o fato de o governo Temer impor um projeto rechaçado nas urnas por quatro eleições consecutivas abre brecha para a disputa de narrativas. A rejeição massiva da população ao governo e às reformas, opinam os debatedores, abre espaço para o contraponto das mídias alternativas e dos movimentos sociais.

 

Links relacionados

 

O papel da mídia na disseminação do ódio ao pensamento da esquerda

Denúncias de violações de direitos marcam abertura do 3ENDC

Imagens do ato de abertura

 

 

Fonte: FNDC / Felipe Bianchi (texto e foto)   

 

 

 

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