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Aumenta número de casos de Aids no Brasil

02/12/2010

Escrito por: Folha On line

Aumenta número de casos de Aids no Brasil O total de casos de Aids acumulado no Brasil entre 1980 e junho de 2010 é de 592.914 pessoas. Só no ano passado, 38.538 pessoas foram infectadas. O número é maior que o total de novos casos de Aids em 2008, que somaram 37.465.

TARSO ARAUJO
DE SÃO PAULO

Melany Lima foi contaminada pelo HIV na amamentação. Perdeu o pai aos dois anos e a mãe, aos 13. Ela é de Céu Azul (PR) e hoje, Dia Mundial da Luta Contra a Aids, está em Brasília, a convite do Ministério da Saúde. Integrante de uma rede de jovens com HIV, participa de uma campanha que será lançada contra a discriminação dos soropositivos. Melany vai prestar vestibular para Medicina.
"Tenho HIV desde que me entendo por gente. Meu pai e minha mãe contraíram o vírus. Quando nasci, meu teste deu negativo. Aos quatro anos, comecei a ter febre e feridas. Minha mãe repetiu o exame. Aí deu positivo.
Nasci sabendo o que é Aids. Quando cresci, conheci o preconceito. Isso me deixou traumatizada.
Muita gente acha que sou virada, alguém sem limites, que faz o que quer, só por causa da doença. Mas não sou. Gosto de sair com amigas, tomar sorvete, navegar na internet e tomar tereré [tipo de chimarrão] em casa.
Só converso abertamente sobre a doença com as amigas mais próximas. Tem algumas amigas que sabem, mas não gostam de conversar sobre o assunto. Outras querem se informar.
Fico com medo de contar para as pessoas, nunca sei qual vai ser a reação. Tenho medo de ser discriminada. Se ofereço alguma coisa a um colega, ele olha estranho. Acho que é porque sou soropositiva. Não sei se é, o trauma me faz pensar que sim.

PIADA
Durante um tempo tomei uma medicação que me deixava amarela. Todo mundo queria saber. Achavam que era contagioso, foi polêmico na escola. Muita gente se afastou, mesmo sem saber que eu era soropositiva. Imagina se soubessem que o remédio era para HIV...
Uma vez, uma menina da turma tirou uma foto de mim com o celular. Uma outra que sabia falou que o aparelho ia pegar Aids. Todo mundo ficou olhando para mim...
Disfarcei e fui na secretaria. A coordenadora veio até a sala, trancou a porta com os alunos dentro e perguntou se alguém ouviu a menina falar aquilo. Ninguém falou nada, ela saiu, ficou por isso mesmo. Ela me expôs mais ainda, o comentário tinha sido num canto. Aí, quem tinha dúvida passou a ter certeza. Fui chorando pra casa.
Preconceito é um ato de maldade. Sempre tem piada. No cursinho, um professor virou para o outro e disse: "Como você está magro! Se eu pegar Aids vou emagrecer assim". Todo mundo riu. Professores, de biologia, ainda por cima, não deviam fazer esse tipo de comentário.
Um dia, saí com um menino que estava me paquerando. Ficamos. Ficamos mais uma vez, ele sumiu. Falou para os amigos que não ia mais ficar comigo porque eu tinha Aids. Chorei muito. Por que não veio falar para mim?
Não falo que sou soropositiva. Quando perguntam, sou sincera. Não gosto de mentir.
Também não falo sobre minha vida sexual. Só fico, não namoro. Agora estou meio encalhada, só estudo.
Muita gente se surpreende quando descobre que tenho o vírus. Acham que temos marcas físicas, que a Aids está na cara. Não é assim.
Antes, não conseguia comer direito, meu nariz sangrava por causa de plaquetas baixas, fui internada várias vezes. Quando tinha dez anos, pesava 24 quilos e tomava medicação líquida.
Quando ganhei peso suficiente para trocar de medicação, passei para comprimidos. Minha saúde melhorou. Hoje, tomo três remédios, duas vezes ao dia.
Falto na aula, às vezes, para fazer exames e ir ao médico em Cascavel (PR), onde frequento um centro especializado. Os médicos de lá me acompanham desde pequena e têm uma relação muito boa e diferente comigo.

DESABAFO
Também vou ao psicólogo desde pequenininha, nem me lembro desde quando. Vou três vezes por mês.
Ele é muito importante, porque, quando converso, desabafo. E ele sempre me ajuda a ver coisas que não consigo, me dá conselhos. É como um bom amigo.
Faço parte da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens que Vivem com HIV/ Aids. Acompanho bastante os e-mails do grupo. No fim do ano passado, a gente perdeu um amigo.
Sou superprotegida pelos meus tios, que cuidam de mim. Tenho que me alimentar bem, tomar remédio na hora certa, para ficar bem como estou. Tento ser feliz. Tem dias de "deprê", mas logo passa e eu vou à luta."



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