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TV Cultura vai cortar programas e demitir até 1.400

06/08/2010

Escrito por: Postado por Clara Bisquola

TV Cultura vai cortar programas e demitir até 1.400 Daniel Castro
Ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad assumiu a presidência da TV Cultura em junho com a missão de reduzir a TV pública paulista a uma simples TV estatal. Com o aval do ex-governador José Serra e do atual governador, Alberto Goldman, Sayad pretende reduzir ao máximo a produção de programas e cortar o número de funcionários em quase 80%, dos atuais 1.800 para 400.

Sayad pensa até em vender o patrimônio da TV Cultura. Já encomendou aos advogados da emissora um estudo sobre a viabilidade de a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV, se desfazer de seus estúdios e edifícios na Água Branca, em São Paulo.

Em reuniões com diretores da emissora, Sayad tem dito que a Cultura não precisa ter mais do que 400 funcionários, que ficariam, segundo ele, muito bem instalados em um andar de um prédio comercial. A postura evidencia que a TV Cultura deixou de ser uma questão de política pública. Passou a ser um "pepino", um problema a ser eliminado pelo governo do Estado.

Fontes ouvidas pelo blog informam que Sayad vive dizendo que irá transformar a Cultura, hoje produtora de programas, em uma coprodutora. Ou seja, ela deixará de produzir programas de entretenimento. Passará a encomendá-los a produtoras independentes e a comprá-los no mercado internacional. Atrações como o Metrópolis podem estar em seus últimos dias.

O jornalismo da Cultura deixará de investir no noticiário do dia a dia, caro e mais bem produzido pelas redes comerciais. A partir de setembro, o Jornal da Cultura, com Maria Cristina Poli, passará a ser um jornal mais de debates, de discussão sobre o noticiário, do que de notícias.

Corte de receitas
A TV Cultura tem hoje um orçamento de cerca R$ 230 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vêm da venda de espaço nos intervalos dos programas para anunciantes privados. Outros R$ 60 milhões são oriundos da prestação de serviços, como é chamada na emissora a produção de programas e vídeos para instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria da República, a TV Assembleia (do Estado de S.Paulo) e a TV Justiça.

Pois a gestão de Sayad já iniciou o desmonte dessas duas fontes de recursos. Até o ano que vem, a TV Cultura não terá mais nenhuma publicidade comercial em seus intervalos nem produzirá mais programação para órgãos públicos (a publicidade institucional, irrisória, será mantida). Dessa forma, reduzirá uma boa parte do seu número de funcionários.

Se o plano for executado, a TV Cultura sobreviverá apenas dos R$ 70 milhões que o governo do Estado aporta diretamente todos os anos, além de outros R$ 50 milhões que ela recebe pela produção de conteúdo para as secretarias estadual e municipal de Educação.

Demissões em massa
O plano de demissões de Sayad é mais complexo. Por causa das eleições de outubro, ele não pode demitir funcionários contratados em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) até dezembro. A Cultura tem entre 1.000 e 1.200 funcionários celetistas. Esses trabalhadores têm emprego garantido até janeiro. Depois, dependem da postura do novo governador do Estado. Para demitir funcionários celetistas, Sayad precisará do apoio do futuro governador, porque terá de contar com verbas extras para pagar as indenizações.

Já os profissionais contratados como pessoas jurídicas (os PJs, pessoas que têm microempresas) podem ser "demitidos" a qualquer momento. Eles seriam de 600 a 800. Os cortes devem ser feitos à medida que contratos de prestação de serviços, como o da TV Assembleia, forem vencendo e não renovados.


Outro lado
O blog tentou ouvir o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre as mudanças que ele pretende implantar na TV Cultura. Na última segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa da emissora, pediu uma entrevista. Ontem à tarde, a TV Cultura informou que Sayad não falaria com o R7.

As informações aqui publicadas foram relatadas previamente à assessoria de imprensa da TV Cultura. Nada foi negado.

Leia também:


Sindicato pedirá audiência com presidente da TV Cultura

04 de agosto de 2010
Diante das denúncias de que a TV Cultura de São Paulo pretende efetuar demissão em massa de seus funcionários, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo encaminhou nesta quarta-feira (dia 4) pedido de audiência com o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, para se interar do problema e analisar medidas conjuntas que evitem o corte de profissionais.

A diretoria do Sindicato considera inadmissível que a única TV pública gerida pelo governo paulista e, portanto, com recursos do povo de São Paulo, possa sofrer o desmonte que se prenuncia. Recentemente, o Sindicato emitiu uma nota de desagravo aos trabalhadores da TV Cultura.


É inaceitável que a atual gestão da TV Cultura, presidida pelo economista João Sayad, indicado para o cargo pelo ex-governador José Serra, não entenda que a emissora é um patrimônio para os jornalistas e, independentemente do governo de momento, orgulho para a categoria e para os habitantes de São Paulo.

Em seus quadros de funcionários passaram inúmeros profissionais de renome, seja na área técnica ou de jornalismo, por exemplo, o jornalista Vladimir Herzog, considerado mártir da resistência à ditadura militar, que foi assassinado no exercício da chefia de redação do jornalismo da TV Cultura.

Não podemos aceitar que a atual direção da TV Cultura apenas enxergue o custo da manutenção da emissora e não leve em conta a relevância social que a TV pública tem ou os prêmios nacionais e internacionais que ganhou com sua programação

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo considera que o quadro que se criou em torno da TV Cultura não é compatível com a função pública da Fundação Padre Anchieta e, insiste, não vai compactuar com este tipo de atitude, seja com corte de funcionários ou com interrupção da produção de seus programas.

O Sindicato dos Jornalistas já divulgou que estuda medidas necessárias para garantir os direitos trabalhistas e o ambiente de trabalho saudável e pretende questionar junto ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) a legalidade da possível dispensa de profissionais em período eleitoral. Agindo assim, queremos garantir o caráter público da emissora e o seu relevante papel social.


CUT Estadual

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