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Dra. Maria Maeno faz um alerta sobre a necessidade do movimento sindical investir mais na saúde do t

19/11/2009

Escrito por: Fonte - Imprensa Cntss/Cut

Dra. Maria Maeno faz um alerta sobre a necessidade do movimento sindical investir mais na saúde do t
•Clara Bisquola

Imprensa Cntss - Dra Maeno, temos avançado nestes últimos anos nas questões da Agenda do Meio Ambiente. Em relação à agenda, o que temos de novo em relação à saúde do trabalhador.

Dra. Maria Maeno -Acho que hoje , nos vários movimentos que estão sendo feitos em relação ao Meio Ambiente, com foco na sustentabilidade do Planeta acabamos fazendo bastante comunicação e isso permitiu que os mais diversos segmentos fossem atingidos como os jovens, donas de casa, enfim , a população de modo geral. Essa forma de comunicação acaba de certa forma educando a população como devem proceder: não jogue isso, recicle aquilo, tudo isso é realmente muito positivo, as pessoas tem que saber como devem jogar as toneladas de lixos que elas mesmas produzem.

Temos que nos conscientizar que de o movimento pelo Planeta depende de cada um de nós. No entanto o movimento pegou outra frente, também muito importante que é a posição das empresas. É o avanço da economia em detrimento a meio-ambiente. Porque que hoje se fala bastante da Amazônia, do Centro Oeste? Estes santuários estão sendo devastados dando lugar para as plantações desenfreadas, sem nenhum respeito pelo meio ambiente, como também as devastações para abrirem pastagens para os gados, tendo somente uma única preocupação: garantindo um tipo de indústria voltado para exportação.

Isso tudo, esses movimentos voltados para esta questão apontada é muito importante, mas a saúde do trabalhador, não houve essa preocupação. O que é que existe hoje? Parece-me que o trabalhador não interage com a sociedade. O trabalhador ficar o dia todo sujo de graxa é normal, ficar exposta em ambientes insalubres é normal, trabalhar em proteções adequadas ao tipo de trabalho que esta executando, ou mesmo morrer, tudo se torna normal. Isso tudo não pode ser aceitável no século XXI com tudo que já avançamos em outros setores.

A sociedade ainda não se conscientizou destas questões. Hoje mesmo, acabei de ver, pela internet, que um trabalhador foi sugado, morto, por um cilos de soja. Isso acontece com uma freqüência muito grande. Imagine morrer sufocado no meio de grãos. Isso sai em jornais, em internet e não vejo movimentos na direção dessas gestões.

Em contrapartida, quando se noticia que um pai matou a filha, ou algo similar, toda a sociedade entra em comoção coletiva. A mídia deveria se importar com aquilo que ameaça a sociedade, dar prioridade para os acidentes que matam todos dos dias centenas de trabalhadores . Tem um outro lado também silencioso, que raramente a imprensa noticia que é o adoecimento do trabalhador.

Imprensa - Quais são as doenças do século XXI do trabalhador além do LER.....

Maria Maeno -O trabalhador hoje, não adoece somente daquelas doenças tradicionais, que já foram vistas estudadas de todas as formas como as silicoses, vestoses, ou mesmo de intoxicação. A sociedade hoje enfrenta as doenças músculo-esqueléticas, desde as lombalgias, dores na coluna, lesão por esforços repetitivos (Ler) que são fruto basicamente da intensificação e da organização do trabalho que obriga o trabalhador a trabalhar horas seguidas, realizando o mesmo movimento repetitivo de forma muito intensa e os transtornos mentais e psíquicos, e que hoje está acontecendo em todos os ramos de atividade.

As pessoas estão submetidas a uma organização de trabalho que sugam ao máximo o trabalhador, sugam o que ele tem de mais precioso que é a sua subjetividade. Acabam roubando a “alma” do trabalhador para que ele vista a camisa da empresa onde ele esta. Não é mais a mão de obra que esta sendo vendida e comercializada, mas sim a nossa saúde e a nossa “alma”.

Essa questão é fundamental olhar e mostrar para os empresários, para a sociedade, mostrar para os governos, o quanto isso piora a saúde de um povo, como um todo , e também a qualidade de vida da pessoas..

Imprensa- Tem se falado muito sobre assedio moral, que vem sendo praticado nos mais diversos setores, principalmente nos setores públicos. Até uma década atrás não que não houvesse, muito pelo contrário, mas as pessoas não denunciavam. Hoje parece que o trabalhador teve um ganho, ele tem conhecimento, mas mesmo assim parece que ele ainda a não tem armas suficiente para um melhor enfretamento a essa questão.

Dra. Maria Maeno -O assédio moral é expor o trabalhador a situações de constrangimento e humilhação, que só encontra espaço porque existe “vista grossa” das empresas, existe muitas vezes até um estímulo dessas empresas para que essas situações ocorram de fato, embora muitas vezes acredita-se, de forma mais absurda , que essas situações de humilhação façam as pessoas produzir mais. Claro que existe a questão da exclusão, mas há também questões de assedio coletivo, as pessoas são obrigadas a fazerem coisas que elas normalmente não fariam. Imagine que em determinado ramo de atividade, os trabalhadores tem que vender uma cota de títulos para pessoas que eles sabem que não precisam deste produto e são obrigadas a seduzir e vender mesmo assim.

Que sociedade é essa que coloca o tempo todo as pessoas no limite, para que elas façam coisas que vai contra as suas crenças mais internas e ela tem que continuar fazendo para manterem seus empregos?

Imprensa - Em cima destas questões que estamos abordando, a Sra. acha que houve algum avanço nas políticas públicas que regulamentem melhor ou criem normas que possam proteger melhor o trabalhador brasileiro?

Dra. Maria Maeno- Acho que no Brasil temos algumas leis tanto na área trabalhista como na da saúde, sobretudo na Vigilância Sanitária e Previdência Social que protege o trabalhador de fato, no entanto,o mercado de trabalho a economia capitalista como esta, faz com que o trabalhador não esteja protegido de fato.

Nós temos um grande mercado informal no Brasil que vai gerar trabalho para uma população economicamente ativa e que não é registrada regularmente e isso não vai permitir que ela tenha acesso a um leque de proteções que o trabalhador celetista acaba tendo acesso que é área da seguridade social: previdência, assistência social, saúde, etc.. Esse trabalhador sem proteção, que vai ter os mais diversos tipos de contrato de trabalho: terceirizado, microempresário, vai ter os mesmos problemas de saúde e desgaste como outro trabalhador qualquer e com isso aumentamos a nossa sociedade adoecida.

Imprensa -Comparando a saúde do trabalhador brasileiro com o trabalhador de outros países, quanto que avançamos?

Dra.Maria Maeno -Há países em a seguridade social do trabalhador esta muito mais consolidada, considerada como um patrimônio da sociedade como França, Inglaterra e Canadá. Vou dar um exemplo do Sistema Único de Saúde- SUS - o nosso sistema é um primor em termos de engenharia, do que se pode chamar de saúde publica, só que ao longo do tempo foi havendo uma desconstrução desse sistema, pelas forças que não conseguiram pregar esse avanço na Constituição Brasileira. Passo a passo vimos sendo criadas regras nefastas para a universalidade e integralidade da saúde da população....

Precisamos sensibilizar o governo, através de campanhas sindicais, movimentos sociais para que ele coloque o trabalhador como elemento importante dentro do desenvolvimento econômico.

Por exemplo, quando se opta para abrir o mercado para milhões de postos de trabalho , no setor de atendimento, englobando para outros países, o que estamos fazendo? Estamos pegando milhões de jovens, a maioria em seu primeiro emprego para serem treinados para fazer um trabalho extremamente desgastante e repetitivo.

Esses jovens que estão na flor da idade, do entusiasmo e vigor, terão que enfrentar os desgaste de um consumidor infeliz, cheio de reclamações e ele vão servir como anteparo tendo que dar conta de uma solução que ele não tem como resolver. Ele não é preparado para resolver os anseios deste consumidor. Ao contrário, a empresa aposta que o consumidor após ligar várias vezes e não tendo seu assunto resolvido desista. Em nenhum momento pensou-se no trabalhador que vive essa tensão no dia-a-dia de seu trabalho.

E nós não estamos fazendo nada para este segmento jovem, que antes de chegar na sua plenitude profissional já esta exaurido, com sua saúde física e emocional comprometida. Precisamos ter uma resposta para esta questão.





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