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Eleições em São Paulo: Dória e Skaf querem segundo turno para consolidar o golpe e suas políticas excludentes

Escrito po: Gervásio Foganholi

03/10/2018

São Paulo é estratégico no xadrez da política nacional; é hora de dizer não à velha política de décadas do PSDB e MDB no estado e eleger candidatos do campo democrático para dar um basta ao golpe

 

O Estado de São Paulo corre um sério risco de aprofundar o seu conservadorismo a partir do resultado das eleições deste ano para governador. As pesquisas de intenção de votos mais recentes indicam um quadro de disputa entre dois candidatos para o segundo turno que representam o mesmo de sempre. Não há dúvida que João Dória Júnior, do PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira, e Paulo Skaf, do MDB – Movimento Democrático Brasileiro, são porta-vozes de um mesmo projeto político que foi sendo construído em São Paulo por estes dois partidos que se revezam no poder desde a eleição de 1982 e se perpetuam como as duas faces de uma mesma moeda.


Mesmo com momentos de alternância entre as duas legendas, a falsa ilusão de mudança foi inevitavelmente atropelada pela dura realidade do teor programático de suas gestões sempre focado nos compromissos com os setores do capital industrial e financeiro. A simbiose entre os dois partidos em São Paulo é a mesma que levou à construção e execução do golpe que tirou do poder a ex-presidenta Dilma Rousseff e colocou em seu lugar o usurpador Michel Temer. O resultado deste pacto sombrio na esfera nacional trouxe a Emenda Constitucional 95, a Contrarreforma Trabalhista, a Lei da Terceirização e agora deve focar na Contrarreforma da Previdência. São medidas que destruíram a economia e vitimaram os trabalhadores.


A velha cartilha da construção do Estado Mínimo com sua política de privatizações, de sucateamento de programas e políticas sociais, da precarização das relações e condições de trabalho, da falta de diálogo e da truculência com os movimentos sociais e com os servidores públicos é comum aos dois candidatos e seus partidos. Neste projeto não há espaço para o olhar humanizado sobre as áreas sociais, o respeito sobre os profissionais que compõem seus quadros de servidores públicos ou o desenvolvimento econômico e social com geração de emprego e renda.


João Dória e Paulo Skaf governarão para e com os empresários da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, da FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos e demais elites paulistas, que, aliás, os dois são filhos legítimos. Seus reais compromissos são com os interesses exclusivos destes setores. A periferia e seu cotidiano são elementos estranhos às suas vidas. Comprometer-se com ela e buscar sua emancipação estrutural, social, cultural e econômica é fator indispensável para um verdadeiro gestor público.


Trocando seis por meia dúzia


Recém-chegado à política pública, João Dória demonstrou logo cedo a quem obedece: a ele mesmo e seus interesses. Em campanha, ungido por Geraldo Alckmin para chegar à Prefeitura, prometeu ao eleitorado cumprir todo o mandato de prefeito. Menos de dois anos depois, após uma lista infinita de viagens, anunciou que deixaria o cargo para candidatar-se. Traiu seu padrinho ao travar um braço de ferro para ver quem seria indicado para disputar o cargo de presidente da República. Perdeu, mas o conchavo no ninho tucano lhe garantiu a disputa para o governo do Estado.


Mas não é só por não honrar sua palavra que Dória ficou conhecido. Sua forma truculenta de tratar os adversários, os assuntos da administração e, principalmente, o servidor público foi logo fazendo cair sua máscara. Seu descompromisso com as políticas públicas de caráter social também marcou sua “administração” relâmpago. Basta lembrar do fechamento de AMAS – Assistências Médicas Ambulatoriais e UBSs – Unidades Básicas de Saúde, o fim do projeto para dependentes químicos, cortes nos programa Leve Leite e de Transporte Escolar, aumento de tarifas e diminuição de linhas de ônibus e sua malfada tentativa de mudar a Previdência Municipal. Estes são alguns exemplos do desastre chamado Dória em São Paulo.


A prática de seu partido é bem conhecida pelos paulistas. Uma gestão que não investe no social, em infraestrutura e recursos humanos. Setores como saúde e educação são penalizados com o descaso tucano e o resultado é a precarização no atendimento. Um funcionalismo que não é respeitado e acumula perdas salariais imensas. Escândalos de uso indevido de dinheiro público - como o do Rodoanel, da Merenda, das obras do Metrô e dos Trens Metropolitanos - são abafados por sua base parlamentar na Assembleia Legislativa. Uma vitória dos servidores a se comemorar foi a recente instalação da CPI sobre as Organizações Sociais. Um escândalo na área da saúde envolvendo uma máfia e perdas de milhões de reais do Orçamento estadual.


Paulo Skaf é um veterano em disputas eleitorais. Mas como seu arquirrival, não há nada de novo em sua bagagem. Presidente da FIESP por quase duas décadas, se orgulha de representar o empresariado contra o trabalhador. Protagonizou várias campanhas na direção da Federação. Uma delas foi contra o retorno, em 2007, da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, que servia para arrecadar recursos para a saúde pública. Foi favorável às medidas de desmonte do Estado e dos direitos dos trabalhadores propostas por Temer, como privatizações, EC nº 95, Contrarreforma Trabalhista e Lei da Terceirização.


Paulo Skaf usou toda sua estrutura na FIESP para derrubar o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. Foi patrocinada pela Federação a campanha do pato amarelo com o slogan “Não vamos pagar o pato”, que uniu os adversários do governo e os movimentos de direita e de ultradireita. Motivado por seu desserviço à Nação, lançou outra campanha. Desta vez o animal símbolo era o sapo e o slogan “Chega de engolir sapo”. Esta não deu tanto efeito porque a população já está sentindo os efeitos devastadores do golpe na economia e com a perda de direitos cidadãos e trabalhistas.


Voto como ferramenta de mudança


A verdade é que não há nada de novo nas propostas dos dois. Seus compromissos partidários vão aprofundar as mazelas presentes no dia a dia do nosso Estado. Para eles não causa comoção o desemprego, o fim da aposentadoria, a falta de remédio, de professores e de material escolar, o transporte público ruim e cada vez mais caro, o fim das políticas de Assistência Social, a falta de saneamento, as enchentes que invadem as casas, a violência que vitima mulheres, idosos e crianças, a segurança pública refém do crime organizado, entre tantos outros problemas que atingem a população deste que é o Estado mais rico da Nação.


Muitos destes sintomas existem hoje neste grau que presenciamos por conta dos governos do PSDB e MDB e de suas bases parlamentares descompromissados com os setores sociais mais vulneráveis economicamente, com os trabalhadores e com o desenvolvimento e a soberania nacional. Dória e Skaf representam o ranço conservador que governa nosso estado há décadas. Esta eleição é um divisor de águas: ou avançamos para um projeto democrático e popular com desenvolvimento ou aprofundaremos a crise com a consolidação do modo de governar colocado pelo PSDB e o PMD e aprofundado a partir do golpe de 2016.


Os trabalhadores têm mais este grande desafio que é consolidar por meio do voto a derrubada dos golpistas que estão destruindo o país. Não há dicotomia entre as lutas sindical e partidária. O direito cidadão ao sufrágio universal é uma conquista dos trabalhadores e deve ser visto como uma das formas de luta para alcançar seus objetivos. Vamos unir nossos esforços para ver crescer novamente a esperança nos olhos e corações de todos os brasileiros elegendo o presidente, governadores e parlamentares verdadeiramente compromissados com a classe trabalhadora e com os interesses nacionais.

 

 

 

Gervásio Foganholi é presidente do SindSaúde-SP – Sindicato dos
Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo

 

 

 

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