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Em grandes cidades, lojistas evitam receber em cheque

08/10/2010

Escrito por: Postado por Clara Bisquola

Em grandes cidades, lojistas evitam receber em cheque Temor com inadimplência e fraudes leva lojas nas grandes cidades a rejeitar esse instrumento

Danielle Assalve, iG São Paulo

“Vocês aceitam cheque?” A reportagem do iG percorreu o Center 3, da avenida paulista, na cidade de São Paulo, para constatar o uso do cheque como meio de pagamento. O resultado é que, numa amostragem de 50 lojas, quase 80% das lojas não trabalham com esse instrumento.

Cheque?! Mas quase ninguém mais usa isso. Já faz um tempo que nós só trabalhamos com dinheiro e cartão”, diz a vendedora de uma loja de calçados, que preferiu não se identificada. E nos casos em que o cheque é aceito, quase sempre existem restrições com relação ao valor da compra e ao parcelamento que, em geral, não ultrapassa três vezes sem juros.

A principal preocupação dos comerciantes é com o calote. Em especial nas grandes cidades, a redução no uso de cheques está diretamente ligada ao medo da inadimplência e à percepção mais acentuada de fraudes, afirma o diretor-adjunto de serviços da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Walter Tadeu Pinto de Faria. “Por outro lado, em muitas cidades do interior o cheque ainda é a regra, não a exceção. Isso porque prevalece a relação de confiança entre comerciantes e consumidores”, diz Faria.

De acordo com dados da Serasa Experian, em agosto a inadimplência com cheques sem fundos ficou em 1,62%, a menor desde fevereiro de 2005. No acumulado do ano até agosto, foram compensados pouco mais de 747,5 milhões de cheques, dos quais 13,6 milhões foram devolvidos. Esse é o menor volume de devoluções dos últimos seis anos.

O assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, afirma que a queda no número de cheques devolvidos não necessariamente significa que a inadimplência geral diminuiu. “O que acontece é que o cidadão inadimplente deixa de usar cheque e passa a usar mais o cartão, que oferece mais flexibilidade na hora de pagamento, com a opção de amortizar o valor mínimo da fatura”, diz Almeida.

Cheque x cartão
O uso de meios eletrônicos ainda encontra certa resistência por parte do comércio, principalmente por conta dos custos envolvidos. “O pagamento com cartão é prático e seguro, mas os custos são muito altos. Além de pagar pela máquina para processar a operação, ainda temos as taxas que estão numa faixa de 3% a 6%. Isso sem falar que a liquidez não é imediata, o comerciante vai receber o pagamento em um prazo longo, em geral de 30 dias”, afirma o assessor econômico da Fecomercio, Altamiro Carvalho.
Segundo ele, por uma venda de R$ 100 no cartão de crédito, o comerciante vai receber um valor líquido de aproximadamente R$ 90 (a valor presente). Já no caso do cheque, além de ter liquidez praticamente imediata, não há desconto no valor a ser recebido pelo comerciante. “O custo oportunidade do cartão é muito alto, e isso acaba tendo de ser repassado para o consumidor”, afirma Carvalho. O assessor da Fecomercio defende a prática de preços diferenciados para pagamentos com cartão, o que é proibido no Brasil. “Se esses custos fossem repassados para o preço com cartão, o cliente que paga à vista estaria pagando um preço justo”.

Na Inglaterra, cheque morrerá em 2018
País planeja substituição do instrumento de pagamento por meios eletrônicos, como cartões e transferências interbancárias

Se no Brasil ainda se discute quando o cheque vai deixar de existir, na Inglaterra o meio de pagamento já tem data para morrer. O país, que comemorou em 2009 os 350 anos do cheque, quer que ele deixe de existir até 31 de outubro de 2018.

Segundo o Conselho de Pagamentos do Reino Unido, a definição da data tem por objetivo permitir que o país se prepare e encontre meios alternativos satisfatórios para substituir o cheque, como sistemas de pagamentos eletrônicos e cartões.

“Depois de consulta pública, ficou evidente que seria preferível que o contínuo declínio no uso dos cheques no Reino Unido fosse diretamente gerido, ao invés de correr o risco dos consumidores ficarem sem alternativas”, afirma a diretora de relações públicas do Conselho de Pagamentos, Jemma Smith. Segundo ela, os próximos oito anos permitirão ao país desenvolver e colocar em prática os meios substitutos ao cheque.
De acordo com dados da instituição, no ano passado foram registrados um total de 876 milhões com liquidação interbancária, queda de 13,1% em relação a 2008. De 2003 a 2008, observa-se um recuo de 40% no número de cheques emitidos no país.

O cheque já deixou de ser utilizado em diversos países europeus, em especial da região norte. No início da década de 1990, por exemplo, os bancos na Noruega e Suécia encorajaram o fim do uso dos cheques como forma de promover ganhos de eficiência. Na Holanda, a abolição dos cheques veio como parte de um pacote de medidas para garantir a introdução suave e eficiente da moeda comum, o euro, em 2002.

Fora do velho continente, a Austrália também colocou em consulta pública o futuro de seu sistema de pagamentos e deve concluir no final deste ano o estudo em que define as estratégias que adotará na próxima década. A expectativa é que o país decida por meios eletrônicos ao invés de papel como forma de pagamento, e também divulgue medidas para reduzir custos de processamento.

No Brasil, o Banco Central publicou em 2005 seu Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo, que tem por principal objetivo fomentar o uso dos instrumentos de pagamento em substituição aos baseados em papel.

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