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Manifestação contra Bolsonaro ocupa via da Avenida Paulista nesta segunda (3)

03/02/2020

CUT, centrais e movimentos sociais protestaram durante visita de Bolsonaro à Fiesp, denunciaram sucateamento e apresentaram propostas de ações para uma indústria capaz de alicerçar o desenvolvimento

Escrito por: CUT

 

 

O recado dado a Jair Bolsonaro pela CUT, centrais sindicais e movimentos sociais nesta segunda-feira (3), em São Paulo, foi claro: a política econômica do governo, que destrói a indústria brasileira, a educação, gera desemprego e entrega o patrimônio nacional ao capital estrangeiro, não será tolerada.

 

Bolsonaro foi convidado para um almoço com Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), local onde foi realizada uma manifestação que levou milhares de trabalhadores e trabalhadoras à Avenida Paulista.

 

O início do protesto ocorreu às 9h do Vão Livre do Masp. Mesmo com a forte chuva, diversas categorias de trabalhadores, além de estudantes e movimentos sociais, permaneceram concentrados para sair em caminhada até à frente da Fiesp.

 

As centrais denunciaram o sucateamento e apresentaram um documento com propostas para a retomada da atividade industrial no Brasil, prejudicada pelas políticas econômicas da dupla Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, que têm resultado no fechamento de empresas, entre elas a Ford, que recentemente encerrou as atividades em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

 

Apresentado à imprensa durante o ato, o documento “Ações para uma indústria capaz de alicerçar o desenvolvimento brasileiro”, denuncia o enfraquecimento do setor e a falta de investimentos em tecnologia e formação profissional para alavancar a produção, gerar mais empregos e contribuir com a retomada do crescimento econômico.

 

Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, alertou para o cenário econômico atual em que a indústria não é prioridade para Bolsonaro. “Esse ato é um repúdio à presença de Bolsonaro em São Paulo, um estado que sofre muito com a desindustrialização. Todo santo dia tem empresa fechando. Não tem governo mais entreguista e anti-indústria que esse”.

 

Sérgio citou o ‘desprezo’ de Bolsonaro com o fechamento da Ford no ABC. “Nós até fomos falar com o governo. Bolsonaro ia para os Estados Unidos e nós dissemos a ele que conversasse com a matriz da Ford, mas ele disse que não tinha agenda. Mas pra visitar a CIA ele teve tempo”.

 

Se o Brasil tivesse um presidente à altura de seu povo trabalhador, a Ford e outras empresas não teriam fechado- Sérgio Nobre


 

O presidente da CUT também mandou um recado à Fiesp. “Tenho respeito a muitos diretores dessa entidade porque já negociei direitos dos trabalhadores com vários deles, mas faz tempo que a Fiesp se tornou um aparelho político de Skaf que não defende o emprego em SP”, disse Sérgio.

 

Representantes de outras centrais também criticaram a atual política econômica e o encontro de Bolsonaro com Skaf.

 

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, lembrou que, recentemente, Skaf afirmou que o Brasil estava no ‘caminho certo do desenvolvimento’. O dirigente rebateu ao afirmar: “queremos dizer que milhões de desempregados, subempregados e desalentados, de perda de direitos, desindustrialização, entrega das nossas riquezas não é o caminho certo e sim um erro que leva o país para o buraco”.

 

O presidente da CTB, Adilson Araújo, ressaltou a urgência em desconstruir as posições de parte do empresariado sobre um suposto crescimento econômico. “A posição do Skaf é medíocre. É falso o otimismo dele. A indústria não vai a lugar nenhum se não tiver investimento público e privado. O governo está pouco se lixando. A ordem de Paulo Guedes é vender, liquidar tudo e a gente não vai conseguir resolver nosso problema se não cuidarmos da nossa vida”.

 

“A Fiesp foi o laboratório do golpe, então eles têm todo interesse de babar no colo de Bolsonaro. A gente, compete denunciar porque a sociedade precisa enxergar”, afirmou o dirigente durante o ato.

 

Secretário-Geral da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), Alvaro Egea criticou o apoio de parte do empresariado ao governo Bolsonaro. “Infelizmente boa parte dos empresários brasileiros estão partindo para o suicídio econômico apoiando essas políticas de liquidação da indústria nacional”.

 

 

Para exemplificar a importância da presença do Estado na vida da sociedade, ele citou a China. “Nós vimos como é importante a atuação do Estado na implementação de políticas. A China, em oito dias, construiu dois hospitais para combater o novo Coronavírus. Isso mostra que é um Estado que tem comprometimento com o desenvolvimento nacional, ao contrário do governo Bolsonaro. Sem indústria não existe futuro para o país”, ele disse.

 

Diversas categorias de trabalhadores engrossaram o ato, dentre elas os bancários. Juvândia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, afirmou que a categoria também é contrária à política econômica destrutiva de Bolsonaro, que afeta a indústria.

 

Temos que protestar. Não é um problema só dos metalúrgicos, dos químicos ou dos bancários. É de toda a sociedade. Só chamando atenção a população, cobrando mudança é que vamos fazer o Brasil retomar o crescimento, com geração de empregos de qualidade- Juvândia Moreira

 

Edson Carneiro Índio, Secretário-Geral da Intersindical, reforçou a importância das mobilizações e protestos como forma de luta contra os ataques do governo aos direitos dos trabalhadores.

 

“Nesse momento em que eles se reúnem para articular como tirar nossos direitos, temos que lembrar que milhões de pessoas estão sem trabalho digno, enquanto direitos sociais já são destruídos de forma acelerada. Estamos vendo também a destruição do serviço público, servidores sendo atacados e nossas estatais sendo sucateadas e vendidas. Por isso, temos que nos mobilizar e interromper esse processo de desmonte do Estado, promovido por Bolsonaro”, disse o sindicalista.

 

Luiz Gonçalves, presidente da Nova Central Sindical (NCST/SP) chamou a atenção para as eleições deste ano, como forma de combater o ‘bolsonarismo’. “Teremos a grande oportunidade no segundo semestre de 2020, elegendo prefeitos e vereadores do campo democrático, de reverter a partir dos municípios essa situação de miséria que o governo provocou no Brasil”.

 

Juventude e estudantes

 

Entidades que representam jovens e estudantes participaram do protesto levando a pauta da educação. Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes (Une), criticou o ministro da Educação Abraham Weintraub, pelo “trabalho de destruição da educação brasileira”. Iago afirmou que muitos problemas têm surgido no campo da educação, setor que, ele diz, está “um caos”.

 

“Esse ano vamos para as ruas com mais força”, avisa Iago, que complementa: “acreditamos que a luta precisa ser unificada. Quando se fala em educação, se fala em desenvolvimento nacional, formação, qualificação e emprego, portanto essa luta é de todos nós”.

 

Kio Kobayashi, representante do Levante Popular da Juventude também citou a educação. “Os retrocessos na educação colocam o futuro dos jovens em cheque. O jovem cada vez menos tem condição de acessar e permanecer na universidade. Por isso, não vai conseguir emprego decente e vai ser forçado a trabalhar nas profissões precárias criadas pela reforma Trabalhista, como motoristas e entregadores de aplicativos”.

 

Agenda de Lutas

 

No protesto contra Bolsonaro, nesta segunda-feira, Sérgio Nobre, presidente da CUT, reforçou que Bolsonaro e Guedes “querem entregar as estatais como Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa Federal e outras que são instrumentos de desenvolvimento para o país, além de entregar as riquezas, como a Amazônia e sucatear o serviço público”.

 

Por isso a próxima agenda de lutas, é o dia 14 de fevereiro, data em que serão feitas panfletagens e diálogo com a população em postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o Brasil, para alertar e denunciar o caos vivido pelo INSS, provocado por Bolsonaro.

 

Outras datas anunciadas por Sérgio são: 1° de Maio unificado, com atos conjuntos das centrais em todo o país; 8 de Março – Dia Internacional da Mulher; e 18 de março, data em que as centrais voltam às ruas em defesa do emprego, da educação, por democracia e direitos. Estudantes também anunciaram que vão reforçar as manifestações deste dia.

 

 

Andre Accarini

 

 

 

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