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Secretaria de Saúde do Trabalhador da CNTSS/CUT crítica medidas de relaxamento do isolamento no Espírito Santo em live realizada pelo Sindsaúde ES

11/05/2020

Maria Faria e a presidenta do Sindicato denunciam o calapso nas redes de saúde e vêem a intenção de relaxar isolamento como medida que trará ainda mais contágio e mortes pelo Covid-19

Escrito por: Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT

 

A definição que o isolamento social é a melhor arma que se possui neste momento para conter a expansão do novo coronavírus (Covid-19), até porque não há vacina ou qualquer medicação para combater o vírus, foi tema de uma transmissão ao vivo, live, realizada na quarta-feira, 29 de abril, pelo Sindsaúde ES - Sindicato dos Servidores da Saúde no Estado do Espírito Santo. Na ocasião, contribuíram com o tema a secretária de Saúde do Trabalhador da CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social e secretária adjunta de Finanças da CUT – Central Única dos Trabalhadores, Maria Aparecida Faria, e a presidenta da entidade anfitriã, Geiza Pinheiro Quaresma.

 

A iniciativa da entidade sindical ocorreu como resposta à proposta do governador, José Renato Casagrande, de flexibilizar o isolamento social e permitir o retorno gradual das atividades em todo o estado. A ideia do governador é considera pelas duas dirigentes sindicais como totalmente equivocada e que, com certeza, colocará os trabalhadores essenciais, principalmente os da saúde, e toda a população numa situação de risco de morte ainda maior. Os dados apresentados pela Imprensa no início de maio sobre o Espírito Santo apontam que o número de mortes chegou a 104 e de casos confirmados do coronavírus atingiu 3.104. Florianópolis, que recentemente resolveu seguir este caminho registrou o aumento expressivo de casos e óbitos. Um erro muito grande que custou inúmeras vidas.

 

A presidenta do Sindsaúde ES reafirmou a grave situação que os trabalhadores são expostos nas redes de saúde por todo o estado. O diagnóstico se assemelha a outras localidades: as redes não apresentam as condições adequadas, os trabalhadores se expõem ao trabalho sem EPIs – Equipamentos de Proteção Individual em quantidade e qualidade adequadas, os profissionais que são do grupo de risco continuam trabalhando, não são fornecidos testes para detectar o Covid-19, os números de contaminados e óbitos não são disponibilizados, caracterizando a existência de subnotificação. São muitas as denúncias que chegam ao sindicato sobre as dificuldades e o risco para realização dos atendimentos, que a cada dia aumentam mais.

 

Uma guerra contra inimigo invisível

 

Maria Aparecida Faria observa que estamos vivendo uma situação muito delicada. Estamos travando uma guerra contra um inimigo invisível em que as condições dos trabalhadores são precárias e, para piorar, a cada dia há um aumento de contaminados e vítimas. “Isto coloca em colapso nossos sistemas de saúde. Não há, de imediato, outra saída senão manter o isolamento social para que possamos ter condições de atender aos pacientes com condições de salvar vidas. Há uma disputa clara entre o capital mandando sair de casa e a Organização Mundial de Saúde e os cientistas mandando ficar em casa para salvar vidas,” afirma.

 

Clique aqui e veja a íntegra da transmissão:

 

Foi mencionado que no caso do Brasil ainda há o fato de um presidente que luta contra a ciência e coloca em risco a vida das pessoas dizendo que se trata de um gripezinha. Segundo a dirigente, neste momento seria papel do governo federal combater este vírus com toda a seriedade e, inclusive, dar condições para as pessoas permanecerem em casa. Lembrou também que, além de chamar de gripezinha, não queria disponibilizar renda neste momento. Foram as Centrais Sindicais que conseguiram o valor que vemos agora, que ainda não é o ideal, mas pelo presidente seria nada ou no máximo os R$200,00.

 

“O governo precisa por a mão no bolso para que as pessoas fiquem em casa. Tem o problema de muita gente que se ficar em casa não consegue pagar contas e aluguel. Até porque nos mercados os preços já subiram. O governo tem responsabilidade nisto. É preciso continuar com o isolamento social. Nós não atingimos o pico da pandemia e a hora que atingir a situação vai ser extremamente grave. O exemplo maior é a situação do Amazonas. É a nossa Milão no Brasil. Quem imaginava que isto fosse acontecer no país. É responsabilidade do governo que tem que ter a capacidade de agir rápido e com firmeza para salvar vidas,”  menciona Maria Faria.

 

Governos descuidam dos trabalhadores

 

A dirigente da CNTSS/CUT também falou do sucateamento das redes públicas de saúde e de outras políticas sociais desde o golpe de 2016. A EC 95 é considerada por ela um exemplo emblemático das atrocidades cometidas por estes governos desde então e reafirma que é preciso revogá-la. Há a compreensão que estão entregando o SUS para a iniciativa privada, mas eles não estão preparados, inclusive para uma situação de pandemia. Por tudo isto, os profissionais de saúde da rede pública, que são em número insuficientes e estão concentrados principalmente nos grandes centros, estão sobrecarregados e colocando suas vidas em risco. Há muito tempo os sindicatos vêm cobrando concursos para cobrir esta defasagem.

 

A secretária aponta que a Confederação tem recebido muitos relatos sobre a precariedade nos locais de trabalho, o que está fazendo com que muitos profissionais até evitem voltar para casa para não contaminar seus familiares. “São profissionais que não se negam a trabalhar, mesmo sem equipamentos ou tendo que usar fora dos protocolos estabelecidos de segurança, seja por pouca quantidade ou qualidade inadequada. Há um número incalculável de trabalhadores afastados por contágio com o Covid-19 e muitos óbitos. Ainda não estamos no pico da doença e, com certeza, toda esta mão de obra especializada fará falta,” sentencia a secretária da Confederação.


“E ainda vemos governos discutindo relaxamento do isolamento social. O mundo inteiro dizendo que o isolamento é a maior arma contra a pandemia. Vamos fazer um esforço por mais um tempo até que a vacina seja encontrada ou que diminuam os infectados. Não podemos ficar com o ônus da perda de vidas humanas. A economia se recupera, mesmo que demore, mas a vida humana não. Não pode haver relaxamento. Tem trabalhador que liga chorando e dizendo que vai pedir demissão porque não agüenta mais ver tanta tristeza, sofrimento, morte, descaso, despreparo. Imagina o que significa isto,” declara Faria sobre a exaustão a que os trabalhadores estão submetidos.

 

 

 

José Carlos Araújo

Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT

 

 

 

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